UM PAÍS QUE NÃO EXISTE MAIS

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A REBELIÃO DOS HOMENS - Mauro Santayana

 Copiado do site http://conexaoserrana.com.br/index.php/brasilpolitica/843-mauro-santayana-a-rebeliao-dos-homens.html

Qual teria sido o desenvolvimento do processo, se os trabalhadores europeus e norte-americanos pudessem ler o Manifesto de Marx e Engels em tempo real, via web?

Imagine o leitor se em fevereiro de 1848 já houvesse a rede mundial de computadores. Vamos supor que, em lugar de imprimir os primeiros e poucos exemplares do Manifesto Comunista, Marx e Engels tivessem usado a internet.
Que desdobramentos teriam decorrido daquelas movimentações? Como sabemos, o ano de 1848 foi de rebeliões operárias na Europa, reprimidas com toda a violência.
O capitalismo selvagem de então, um dos filhos bastardos da Revolução Francesa, sentiu-se animado pela derrota dos trabalhadores.
Se o sistema financeiro se articulou, com o Consenso de Washington e os encontros periódicos entre os homens mais ricos do planeta, a fim de dominar e explorar globalmente os povos, é preciso que os cidadãos do mundo inteiro reajam.
Marx queria a união de todos os proletários do mundo. O movimento de hoje é mais amplo e seu lema poderia ser: Seres humanos do mundo inteiro, uni-vos.
Na França, a burguesia tomou conta do poder e, com a derrocada da monarquia, assumiu-o sem disfarces e sem intermediários, em um período que os historiadores denominam de "A República dos homens de negócios".
Os trabalhadores e intelectuais tentaram, mais tarde, em 1871, logo depois de a França ser vencida pelos alemães, criar um governo autônomo e igualitário em Paris. Com a ajuda dos invasores, o exército de Thiers executou 20 mil parisienses nas ruas.
As manifestações populares dos países árabes, que os governos e a imprensa dos Estados Unidos e da Europa saudaram como o fim dos tiranos e o início da democratização do mundo islâmico, entram em nova etapa, ao atingir os países ricos.
Os analistas apressados são conduzidos a rever suas­ conclusões. O mal-estar que levou os povos às ruas­ não se limita ao norte da África: é fenômeno mundial.
Uma das contradições do capitalismo é sua incapacidade de estabelecer limites, principalmente nessa nova etapa, a do imperialismo desembuçado, no qual os governos nacionais não passam de meros servidores dos donos do dinheiro.
Hoje, nos Estados Unidos – que foram, em um tempo, o espaço para a realização de milhões de pessoas mediante o trabalho –, a diferença entre os ricos e os pobres é maior do que durante toda a sua história, incluído o tempo da escravidão.
Um por cento da população norte-americana detém 40% de toda a riqueza nacional. A mesma situação se repete em quase todos os países nórdicos.
Quando redigia este texto, milhares de pessoas se encontravam acampadas no centro de Madri, em continuidade ao movimento Democracia Real­, Já, que se iniciou em 15 de maio, com protestos em todas as grandes cidades espanholas.
A Espanha hoje está dominada pelos grandes banqueiros e pelas companhias multinacionais, que não só exploram o trabalho nacional como vivem de explorar os países latino-americanos.
Bancos como o Santander – cujos resultados mais expressivos são obtidos no Brasil – dividem com os dois partidos que se revezam no poder (os socialistas e os conservadores) o resultado do assalto à economia do país. É contra esse sistema odioso que os espanhóis foram às ruas, e nas ruas continuam.
Não são apenas os jovens desempregados que se indignam. São principalmente as mulheres e homens maduros os que estimulam o movimento.
Eles sentem que seus filhos e netos estarão condenados a um futuro a cada dia mais tenebroso e mais violento, se os cidadãos não reagirem imediatamente.
Os espanhóis estão promovendo a articulação internacional de movimentos semelhantes, que ocorrem em outros países, como Islândia, França, Inglaterra e mesmo os Estados Unidos.
Se o sistema financeiro se articulou, com o Consenso de Washington e os encontros periódicos entre os homens mais ricos do planeta, a fim de dominar e explorar globalmente os povos, é preciso que os cidadãos do mundo inteiro reajam. Marx queria a união de todos os proletários do mundo.
O movimento de hoje é mais amplo e seu lema poderia ser: Seres humanos do mundo inteiro, uni-vos.

Mauro Santayana/Revista do Brasil

segunda-feira, 11 de julho de 2011

ENSINO MILITAR DA HISTÓRIA NO PERÍODO DITATORIAL

Extraído de http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=158443&id_secao=1


Por Celso Lungaretti*, no blog Náufragos da Utopia

Respondendo a perguntas dos leitores da revista Época, o deputado Jair Bolsonaro assim se manifestou sobre a Comissão da Verdade:
"Partindo do princípio de que todos os integrantes serão indicados pela presidente da República, não se pode esperar imparcialidade do que for relatado. O que se pretende é elaborar relatórios mentirosos, endeusando os petistas e demais adeptos da esquerda e satanizando os militares para que conste em livros didáticos uma nova História escrita de forma unilateral e mentirosa".

Decerto ele gostaria que os livros didáticos fossem todos como o História do Brasil: Império e República, de Aldo Fernandes, Maurício Soares e Neide Annarumma, adotado pelos colégios militares brasileiros.

A Anpuh – Associação Nacional dos Professores Universitários de História – tem enviado reiterados protestos aos ministérios da Defesa e da Educação e Cultura, bem como à Casa Civil, pois tal livreco mantém a falaciosa retórica ditatorial, que foi para a lixeira em 1985 e hoje só é encontrada nos nichos da extrema-direita. “Que cidadãos estão sendo formados por uma literatura que justifica, legitima e esconde o arbítrio, a tortura e a violência?”, questiona a entidade.

De acordo com Luis Fernando Cerri, diretor da Anpuh e professor de História da Universidade Estadual de Ponta Grossa, legitimar o golpe militar na educação básica fere preceitos constitucionais, já que “nossa Constituição proíbe várias práticas da ditadura militar, como a formação de grupos armados para tomar o poder”.

Além disto, acrescenta Cerri, tal obra está abaixo do padrão de qualidade exigido pelo Programa Nacional do Livro Didático, "pela falta de organização da informação, pelo modo como são formuladas questões para os alunos e por não estar dentro das discussões atuais da historiografia brasileira, do nosso atual estado de conhecimento”.

Faz exatos 13 meses que esta aberração foi denunciada pela Folha de S. Paulo, sem que se tomasse nenhuma providência. O MEC sai pela tangente, alegando que o ensino militar tem autonomia e uma legislação específica.

A censura teria sido necessária para o progresso do país

Eis os principais trechos da notícia publicada em junho/2010:

“A história oficial contada aos alunos dos 12 colégios militares do país omite a tortura praticada na ditadura e ensina que o golpe ocorrido em 1964 foi uma revolução democrática; a censura à imprensa, necessária para o progresso; e as cassações políticas, uma resposta à intransigência da oposição.

É isso que está no livro didático História do Brasil – Império e República, utilizado pelos estudantes do 7º ano das escolas mantidas com recursos públicos pelo Exército.

As escolas militares poderiam utilizar livros gratuitos cedidos pelo Ministério da Educação a todas as escolas públicas. Mas, para a disciplina de história, optaram pela obra editada pela Biblioteca do Exército, que deve ser adquirida pelos próprios alunos. (...) O Exército afirma que o material 'atende adequadamente às necessidades do ensino de História no Sistema Colégio Militar'.

O livro de história mais adquirido pelo MEC para o ensino fundamental, da editora Moderna, apresenta a tomada do poder pelos militares como um golpe, uma reação da direita às reformas propostas por João Goulart. A partir disso, diz a obra, seguiu-se um período de arbítrio, com tortura e desaparecimentos, em que a esquerda recorreu à luta armada para se manifestar contra o regime.

Já a obra da Bibliex narra uma história diferente: Goulart cooperava com os interesses do Partido Comunista, que já havia se infiltrado na Igreja Católica e nas universidades. Do outro lado, as Forças Armadas, por seu 'espírito democrático', eram a maior resistência às 'investidas subversivas'.

No caderno de exercícios, uma questão resume a ideia. Qual foi o objetivo da tomada do poder pelos militares? Resposta: 'combater a inflação, a corrupção e a comunização do país'.

A obra não faz menção à tortura e ao desaparecimento de opositores ao regime militar. Cita apenas as ações da esquerda: 'A atuação de grupos subversivos, além de perturbar a ordem pública, vitimou numerosas pessoas, que perderam a vida em assaltos a bancos, ataques a quartéis e postos policiais e em sequestros'.

A censura é justificada: 'Nos governos militares, em particular na gestão do presidente Médici, houve a censura dos meios de comunicação e o combate e eliminação das guerrilhas, urbana e rural, porque a preservação da ordem pública era condição necessária ao progresso do país'".


* Celso Lungaretti é jornalista, escritor e ex-preso político

quarta-feira, 6 de julho de 2011

SOMENTE COLHEMOS AQUILO QUE PLANTAMOS

         Sempre foi difícil fazer teatro. Multiplica-se o número de farmácias, o número de sapatarias, o número de supermercados, mas teatro é obra rara. Por que será? Porque uma pessoa pode sentir repulsa por textos que possam levá-la a pensar e a mudar sua postura diante do que lhe é imposto no seu viver diário? Por que se contentar com a cultura pastelão tão presente na programação da TV e nas salas de projeção nos shoppings? Por que fazer de um capitão Nascimento um herói acima de toda e qualquer suspeita e de valores éticos que muitos brasileiros parecem ter esquecido? Vivemos tempos assim. E quando se TENTA levar adiante a difícil empreitada de trazer à luz a reflexão de uma época obscura, que vivemos há cerca de 40 anos, começam os obstáculos.  Estudantes de nível superior não conseguem absorver o real sentido da história, não se angustiam, não se indignam e não conseguem fazer a leitura de mundo tão necessária ao desenvolvimento de sua carreira, de seu futuro. É uma lástima o que vimos. É lamentável que jovens que vivem em um ambiente acadêmico possam se assoberbar em sua ignorância ideológica e se refugiar em sua alienação reacionária. O tempo vai cobrar os frutos dessa atitude. Estamos ensaiando, prosseguimos ensaiando, continuamos ensaiando. E a encenação dessa peça vai coroar nosso sacrifício e nossa persistência. Hasta siempre.

ENSAIO DE 06/07/2011




Com a presença de Alexandre, Cristiane e Ricardo, foi realizado, nesta terça-feira, o ensaio da peça no Teatro da Faculdade. O próximo ensaio está marcado para o dia 12, às 13:30 horas.